Por que as pessoas se associam? E por que permanecem associadas ou não? | Eduardo Mielke*

Publicado em 18/08/2016

Antes de começar, é preciso destacar que entrar ou sair de um grupo organizado é um ato voluntário. Muitas pessoas entram em uma associação por vários motivos. Algumas porque veem nela uma oportunidade de se sentirem ouvidas e até atendidas. Já, outras, só para saber o que acontece ou por se sentirem ameaças por alguma mudança próxima. Já vi casos em que o motivo era barrar a entrada de um novo hotel de bandeira, recorrendo à Prefeitura. Em outros casos, o objetivo era melhorar ações promocionais.

Veja, conseguir associados não é algo difícil, talvez trabalhoso. Movimentos associativistas têm uma boa imagem e surgem na possibilidade de resolução de problemas comuns. Tudo que é novo chama a atenção. Até por inocência, imagina-se que a entidade resolverá até a própria ausência do Estado. Contudo, difícil é manter as pessoas na entidade com o mesmo entusiasmo ao longo do tempo. E, mais difícil ainda, é torná-las atuantes e engajadas. Em outras palavras, o desafio é manter a entidade representativa e com um movimento que dê resultados mensuráveis. Neste sentido, aqui vão algumas dicas.

Em primeiro lugar, seja claro acerca dos limites e das oportunidades que a associação pode oferecer de fato. Isso porque diferentes percepções resultam em atitudes individuais distintas. A incompreensão afeta o resultado percebido por cada um. Esse desequilíbrio frustra seus membros, correndo o perigo de reduzir a entidade a um pequeno grupo, que acabam por monopolizar e decidir tudo em prol do argumento “...estamos levando tudo nas costas...” Isso é mais perigoso ainda, pois abre brecha à vaidade, virando instrumento de poder pelo poder entorno de si mesmo. Esse processo exclui pessoas, suas ideias e mais ideias e outras pessoas. E a cadeia de valor? Não é formada por pessoas? Pense nisso.

Segundo: associações de turismo devem ter uma gestão para fora, tendo claro suas metas e seus objetivos, que devem estar atrelados a duas agendas de trabalho realísticas: acesso ao mercado e política pública. A continuidade dessas ações e de gestão propriamente dita fará como que as pessoas se sintam mais seguras e passem com mais facilidade a perceber do porquê da associação. Em outras palavras, o ganho deve ser real e claro, sendo consequência de um trabalho em sequência, e dentro de uma expectativa possível e combinada.

Terceiro: Nunca se esqueça da sua base. Fique atento. Você que é dirigente e que me lê, busque saber os reais motivos do sujeito ali estar. Veja honestamente se o que ele procura é o que a associação poderá entregar. Se ela faz sentido para ele. Explore ao máximo as habilidades de cada associado. Lembre-se que há uma enorme diferença entre participação, comprometimento e envolvimento. Nunca se esqueça que as pessoas não se envolvem na mesma intensidade que você. Mas todos têm algo para oferecer, você já sabe o que todos têm e como pode aproveitar isso?

Dúvidas, pergunte!

 

*O professor Eduardo Mielke é doutor em Desenvolvimento Turístico na Espanha e há mais de 10 anos assessora parlamentares e gestores públicos em projetos de Turismo. Contato: eduardomielke@yahoo.com.br.

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