Com ou sem MTUR. Será que isso é o que realmente importa? Sério mesmo? | Eduardo Mielke*

Publicado em 18/08/2016

Extinguir ou juntar? Muitas UFs passam pelo mesmo dilema. O fato é que o Michel Temer reagiu alheio a isso tudo, e distribuiu. Mostrou claramente para bom entendedor como a banda da governabilidade toca em Brasília. A pressão já começa dentro do próprio PMDB. Pense se essa meia palavra basta!

Se não, então veja. O PMDB já sinalizou para Minas Gerais, ainda que os correligionários de Santa Catarina e Alagoas já deram exemplos vinicianos de excelentes quadros. Mesmo assim, não deu. Aguardamos. Ainda que alguns achem que a cátedra resolve, saber manejar o UFC no DF demanda muito mais. E tentar algo consistente em um governo inglório que terá à frente 22 meses úteis é tarefa para quem sabe. Aliás, se der para liberar os Cassinos...

Olhemos para a prateleira de cima, e vejamos como os TOP 10 lidam com o turismo dentro dos seus governos.

Com exceção do México (10o), nenhum deles tem uma pasta exclusiva de Turismo. Lá, o Turismo está com o Comércio ou Cultura, e sempre fazendo parte da Política Pública de Estado à promoção de emprego e renda. Em ambas as direções, sugere-se forte presença da iniciativa privada na tomadade decisão, antenada à dinâmica de mercado. Coisa que o Sr. Kubitschek, em 1960, não entendeu ser necessário.

Por lá, uma das principais funções do turismo é promoção, feita inclusive com os C&VB que são, muitas vezes, entes públicos. Por aqui, temos a EMBRATUR (politicamente independência ao MTUR), que a faz com conexão inaudível dos C&VB daqui. Coisa que se Sr. Kubitschek fosse vivo não entenderia.

Por lá, demandas como as de infraestrutura são atendidas por outras pastas. Por aqui, o mesmo acontece. Mas, o é muito mais pelo minúsculo recurso que o MTUR dispõe do que pela organização do próprio governo. Aliás, francamente, esse histórico do orçamento nos tem dado a nítida compreensão de como o Planalto Central percebe o turismo no Brasil desde sempre. De duas, uma: ou não estamos sendo competentes em enviar a mensagem correta ou não sabemos nem que mensagem enviar. Vou pela segunda, e você?

O MTUR em si não é a pauta, mas, sim, esse modus 100% operanti do distribuir para governar. Incluindo para inglês ver as instituições do trade, sempre nos deixará longe de números representativos, até para dizer o porquê da pasta. Mesmo com excelentes técnicos, o MTUR sofre das mesmas limitações como qualquer secretaria municipal de turismo. Sem dinheiro e prestígio. Até quando? As discussões sobre o tema muito mais dividem do que o contrário. Navegam entre nós e eles, mais do mesmo, deixando fácil ao descaso palaciano.

Urge uma discussão mais consistente sobre como queremos que o governo entenda o turismo e como ele deve ser instrumentalizado politicamente e institucionalmente em todos os níveis. Mesmo que saibamos o que queremos, até quando iremos deixar incerto aquilo que realmente nos interessa. Se você acha difícil se fazer entender no DF, então comece pelo seu município. As eleições estão aí e a mudança é de baixo para cima. Debatendo o MTUR? Sério mesmo?

Dúvidas? Pergunte!

*O professor Eduardo Mielke é doutor em Desenvolvimento Turístico na Espanha e há mais de 10 anos assessora parlamentares e gestores públicos em projetos de Turismo. Contato: eduardomielke@yahoo.com.br.

 

 

© Copyright Em Foco Turismo. Todos os direitos reservados.
desenvolvido por SITEFOX