Associações de Turismo, um banco de negócios ou base política? | Eduardo Mielke

Publicado em 18/08/2016

Se a Associação de Turismo da sua cidade está devagar, quase parando, hoje a pauta aqui são duas dicas de uma agenda de trabalho para fazer sentido. Está mais do que na hora de as entidades do terceiro setor no município realizarem o quanto podem e devem ser influentes dentro da política de turismo. E o argumento é simples. Delas fazem aparte a base dos serviços turísticos de qualquer cidade, ou seja, da cadeia de valor.

Para deixar isso mais claro: os serviços turísticos de uma cidade são realizados pelas empresas turísticas que, por sua vez, estão associadas a uma entidade do terceiro setor. Portanto, não ouvi-las e não inseri-las dentro da estrutura e organização da Política de Turismo do Município é o mesmo que levar o seu carro à oficina mecânica e achar que comprando 2 kg de carne moída resolverá.

Reunir esse grupo de empresários sob uma associação de turismo é a grande oportunidade para que melhores resultados operacionais na conta corrente de cada um dos membros da entidade, bem como vantagens competitivas possam se fazer presentes. Esses são os mais importantes objetivos das associações de turismo e, se não estão sendo devidamente trabalhados dentro pela executiva da entidade, perceba se isso não está sendo a principal causa da baixa participação dos associados. Sem resultados não há motivação para se envolver. Pense nisso.

Na prática, dois caminhos devem ser tomados dentro da agenda de trabalho da entidade: negócios e política. Vamos começar pelo primeiro e mais fácil passo. Toda associação é um banco de negócios enrustido. Antes de se preocupar somente em vender mais, pense que comprar melhor também impacta no fluxo de caixa. Há experiência de hotéis que compram em conjunto insumos como frutas, produtos de limpeza e café. Tudo feito por meio do sistema de pregão eletrônico.

Claro que do ponto de vista comercial, com uma ajuda da geografia, empreendimentos próximos podem se transformar em alamedas ou ruas gastronômicas. Não disputam mais restaurante a restaurante, mas sim entre regiões da cidade, como os Bairros de Santa Felicidade, em Curitiba, e Moinhos de Vento, de Porto Alegre. Há também as regiões de concentração (aglomeração ou para alguns um APL) de comércio aliadas à gastronomia que são inúmeras neste país. Já deveriam fazer parte das políticas de turismo municipais, pois ali estão as sementes de várias variedades de eventos MICE.

As discussões, estratégias e ações da entidade só são relevantes se direcionadas a incrementar aqueles resultados. E mais importante do que isso é monitorá-los, sobretudo desde o ponto de vista da forma cooperada em que foi feita. Vale salientar o poder ainda quase inexplorado do uso inteligente das mídias sociais. Há empresas que veem com dificuldade os métodos de Promoção Turística Colaborativa.

Cooperar para competir, benefícios mútuos e gestão inteligente. Quando essas forem as diretrizes da sua associação, o caminho para uma agenda política é a sequência. É o efeito e não a causa.

Dúvidas ou esclarecimentos? Pergunte.

 

*O professor Eduardo Mielke é doutor em Desenvolvimento Turístico na Espanha e há mais de 10 anos assessora parlamentares e gestores públicos em projetos de Turismo. Contato: eduardomielke@yahoo.com.br.

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